quinta-feira, 5 de março de 2015
OBRA INACABADA CAUSA PREJUÍZOS AOS MORADORES DA ÁREA RURAL DE SOBRADINHO, DENUNCIA VEREADOR
Devido à redução na vazão do Lago de Sobradinho, norte da Bahia, vem à tona um problema que, na verdade, é recorrente no município: a falta d’água nas propriedades de agricultores familiares. Toda vez que a Chesf diminui a capacidade do Lago, a água que passa pelo Canal da Batateira não alcança todas as propriedades, deixando no prejuízo muitas famílias que produzem através do programa governamental de acesso ao crédito fundiário. Este ano, grandes prejuízos já estão sendo calculados pelas famílias que cultivam goiaba, manga, maracujá, etc.
Segundo o vereador Adilson Ribeiro (PT), essa problemática vivida hoje pelas comunidades, a exemplo de Terra Nossa (foto), denuncia um problema histórico no município, a não conclusão do Canal da Batateira, uma obra resultante de um convênio entre o Governo Federal e a prefeitura municipal. O projeto previa a construção de 15 km de canal e só foi construído 6 km, segundo apuração do Ministério Público Federal (MPF). Cerca de 17 milhões de reais foram repassados ao município na gestão do prefeito Luiz Berti Tomás San Juan (1996-2004) e, mesmo com dez termos aditivos, a obra completa nunca foi entregue as três mil famílias que seriam beneficiadas, segundo o MPF.
Se feita em sua totalidade, o canal hoje garantiria água para produção agrícola e animal e a “realidade do município hoje seria outra“, diz o vereador Adilson Ribeiro, que sempre acompanhou a expectativa das famílias desde a época em que realizava o trabalho de Assessoria Técnica e Extensão Rural no interior do município. Segundo o presidente da Associação de Terra Nossa, Pedro Rodrigues, é preciso uma ação política urgente e que resolva o problema de uma vez. No momento está faltando inclusive água para beber, a qual chega através de uma adutora, informa o agricultor, alegando que a gestão atual já foi acionada, mas, em sua opinião, falta administração para resolver o problema.
Proposições
As comunidades que hoje sofrem a perda da produção a poucos quilômetros do Rio São Francisco não viveriam esse problema se o Canal da Batateira funcionasse como previsto e se houvesse de fato uma gestão da água no município. Hoje, criadores da área de sequeiro, a exemplo das comunidades de Tatauí, Canaã e Santa Tereza, às vezes se obrigam a comprar água de carros pipas para dessedentação animal. O município, no entanto, tem condições de investir em obras estruturantes para garantir o acesso à água a toda área rural, o que, inclusive, poderia ser feito com os recursos da compensação hídrica da Chesf (entre 21 e 25 mil/mês) e do fundo especial do petróleo (cerca de 18 mil/mês). Porém, “não tem uma ação estruturante feita pela atual gestão. É inadmissível Sobradinho ser abastecido por carro pipa. As famílias têm direito a água para beber e produção“, lamenta o vereador Adilson Ribeiro.
A pedido das organizações comunitárias, o vereador apresentou no primeiro ano do seu mandato um Projeto de Lei voltado para a “instalação e manutenção do Sistema de Abastecimento Hídrico Rural do Município de Sobradinho; e ainda, sobre a criação do Programa Municipal de Implantação e Manutenção do Sistema de Abastecimento Hídrico da Área Rural do Município“, contudo não foi aprovado e as famílias permanecem sofrendo com a ausência de uma política pública efetiva que assegure o acesso à água. (foto: Assessoria/divulgação)
Do Blog Carlos Britto
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